VEJA ABAIXO MATÉRIA QUE SAIU NO JORNAL DA TARDE
Assaltos dentro da universidade subiram de 39, em 2008, para 56 no ano passado. Ataque a ciclistas está entre os crimes registrados na Cidade Universitária. Novas medidas de segurança devem ser adotadas em fevereiro
O número de roubos no câmpus da Universidade de São Paulo (USP) no Butantã, zona oeste, voltou a crescer. Entre 2007 e 2008, o total de casos caíra de 71 para 39. Já no ano passado, subiu para 56. Entre os crimes que impulsionaram o índice está o ataque a ciclistas (leia mais abaixo). O coordenador do câmpus, professor Antonio Carlos Massola, afirmou ao JT que pretende adotar uma série de medidas para reforçar a segurança das cerca de 80 mil pessoas que circulam ali diariamente, como a contratação de mais guardas e a instalação de quiosques da Guarda Universitária nos pontos mais vulneráveis.
Assim como nos anos anteriores, a área de maior incidência de assaltos e furtos abrange o trecho entre o Hospital Universitário (HU) e o Instituto de Física. Sozinhos ou em grupos, ladrões cercam as vítimas e roubam celulares, tênis, dinheiro e bicicletas. Agem armados com revólveres, estiletes ou facas.
Frequentadores e funcionários da USP atribuem os ataques a criminosos que se aproveitariam das duas entradas existentes naquele trecho para a Favela São Remo, vizinha ao câmpus. O trajeto, entre as avenidas Professor Ernesto de Morais Leme e Professor Almeida Prado, é ermo e até as lâmpadas de parte dele precisam ser repostas regularmente, pois são quebradas por vândalos.
O patrulhamento no câmpus está a cargo da Guarda Universitária, formada por 130 homens cujas tarefas incluem prestar informações e cuidar das três portarias, cinco portões, do trânsito e da área de 4,7 milhões de metros quadrados da USP. “É difícil ter um mecanismo de coibir quando a sua guarda tem um número limitado”, justificou Massola. Além disso, todo o efetivo anda desarmado. Não dispõe nem sequer de cassetetes. “Quando o guarda vai fazer uma abordagem, ele não sabe se a pessoa está armada ou não, então há um problema nesse sentido.”
Apesar da maior quantidade de roubos, um possível pedido de ajuda à Polícia Militar é incerto. Em 2007, depois da greve de professores, a corporação removeu a base existente dentro da Prefeitura da Cidade Universitária. No episódio, classificado como constrangedor pelo comando da PM, grevistas cercaram a unidade. “Há um problema muito sério quando se põe a PM aqui dentro, que é a reação estudantil e, às vezes, até de docentes”, afirmou Massola. De acordo com o coordenador, o assunto deverá ser discutido futuramente com o novo reitor, João Grandino Rodas, que tomou posse ontem.
Em nota, a Polícia Militar informou que existe uma viatura exclusiva para atender ocorrências no câmpus e que mantém “um policial” no HU. A corporação não revelou, entretanto, se efetuou prisões no câmpus ou em suas imediações ao longo de 2009 e acrescentou que “não irá conseguir impedir a ocorrência de todos os crimes, pois não é onipresente, nem onisciente”.
Na tentativa de conter o avanço dos crimes, Massola planeja contratar mais 20 guardas e intensificar as rondas. Ele promete instalar, a partir do mês que vem, quiosques da Guarda Universitária. “Em cada um deles deverá ter um carro ou moto para fazer a vigilância das cercanias.” As bases serão montadas no centro de rotatórias e nas estruturas de alvenaria antes utilizadas para a venda de alimentos. Uma delas está situada no terminal de ônibus circular.
Por enquanto, não estão previstas alterações no sistema de vigilância por câmeras, atualmente composta por 85 equipamentos. “Poderíamos ter mais algumas, que precisam ser colocadas. Mas o maior problema são as árvores. Às vezes elas obstruem a câmera, então estamos estudando como melhorar isso”, disse Massola.
Ainda neste semestre, o bosque deverá ser cercado com alambrado e o acesso passará a ocorrer somente por entradas específicas. Desde dezembro, a coordenadoria vem executando a poda de árvores para melhorar a iluminação das avenidas que cortam o câmpus.
Furtos
O total de furtos caiu no ano passado. Foram 316, ante 335 em 2008. O de veículos diminuiu de 97 para 39. O de patrimônio da USP passou de 33 para 28 ocorrências. As tentativas de furto e roubo também caíram, passando de 51 para 35. Os dados são dos boletins de ocorrência da Guarda Universitária.
80 MIL
Pessoas circulam diariamente pela Cidade Universitária, no Butantã, zona oeste.A área é de 4,7 milhões de m2
130
Homens compõem a Guarda Universitária. Vinte novos guardas devem ser contratados para reforçar as rondas
matéria escrita por ELVIS PEREIRA, elvis.pereira@grupoestado.com.br
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